Análise do Comportamento: como ela compreende o que fazemos?
Mais do que dar um nome a um problema, interessa compreender em quais condições ele acontece e o que contribui para que continue acontecendo.
21 de maio de 2026 · por Flavio Castelhani
Quando alguém pergunta qual abordagem orienta meu trabalho, a resposta é Análise do Comportamento.
Mas o nome, sozinho, provavelmente explica pouco sobre o que acontece em psicoterapia.
Uma maneira melhor de apresentá-la talvez seja pelas perguntas que fazemos.
Imagine alguém dizendo:
"Eu não consigo dizer não."
Podemos responder que essa pessoa tem dificuldade para estabelecer limites.
A descrição pode estar correta.
Mas ainda sabemos muito pouco.
Ela não consegue dizer não para qualquer pessoa?
Em qualquer situação?
O que acontece quando tenta?
O que costuma imaginar antes de responder?
O que acontece depois que aceita algo que gostaria de recusar?
É a partir desse tipo de pergunta que começamos a sair de uma descrição geral e construir uma compreensão do comportamento.
O comportamento acontece em contexto
Na Análise do Comportamento, aquilo que fazemos não é entendido separadamente das condições em que acontece.
Nossa história importa.
As pessoas com quem convivemos importam.
Aquilo que aconteceu antes importa.
As consequências das nossas ações importam.
E as condições atuais também.
Isso ajuda a compreender comportamentos que, vistos isoladamente, parecem contraditórios.
Alguém pode querer estabelecer limites e continuar cedendo.
Pode saber que determinada preocupação é excessiva e continuar conferindo.
Pode querer terminar uma tarefa e continuar adiando.
Em vez de concluir simplesmente que falta força de vontade, podemos perguntar:
o que torna essa resposta provável naquela situação?
E pensamentos e emoções?
Eles não são ignorados.
Sentir ansiedade, lembrar, imaginar, antecipar uma conversa ou pensar repetidamente sobre um problema também são fenômenos relevantes.
A diferença está em não encerrar a explicação simplesmente dizendo:
"Ele evita porque sente ansiedade."
Podemos continuar investigando.
Em quais situações essa ansiedade aparece?
O que a pessoa faz quando ela aparece?
O que acontece depois?
A explicação deixa de depender de uma característica abstrata da pessoa e começa a considerar as relações das quais aquele comportamento participa.
O que isso significa na psicoterapia?
Significa que não parto de uma explicação pronta para problemas complexos.
Duas pessoas podem chegar dizendo "tenho ansiedade" e apresentar padrões, histórias e necessidades bastante diferentes.
A compreensão do caso é construída ao longo da psicoterapia.
Formulamos hipóteses, observamos padrões, avaliamos se nossas explicações ajudam a compreender o que acontece e as revisamos quando necessário.
Meu trabalho não é encontrar uma explicação bonita sobre quem você é. É construir, junto com você, uma compreensão útil sobre o que acontece e sobre o que pode ser diferente.
Essa é provavelmente a forma mais simples de explicar como a Análise do Comportamento orienta meu trabalho clínico.
Psicoterapia
Se você reconhece alguns desses padrões na sua própria vida, a psicoterapia pode ser um espaço para compreendê-los considerando sua história e as situações em que acontecem.
Entender como funciona a psicoterapiaReferências
- Neno, S. (2003). Análise funcional: definição e aplicação na terapia analítico-comportamental. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 5(2), 151–165.
- Haynes, S. N., & O'Brien, W. H. (1990). Functional analysis in behavior therapy. Clinical Psychology Review, 10(6), 649–668.
- Anderson, C. M., Hawkins, R. P., & Scotti, J. R. (1997). Private events in behavior analysis: Conceptual basis and clinical relevance. Behavior Therapy, 28(1), 157–179.